Sistema FAEP

Após curso do Sistema FAEP, ex-cortadora de cana vence preconceito

Tereza Pereira lutou contra racismo, pobreza e relacionamento abusivo para se tornar uma voz inspiradora a milhares de mulheres

“Não importa de onde você é, o que você faz e qual o tamanho do seu sonho, quando você acredita, trabalha com amor e não desiste, o reconhecimento vem. No tempo certo, ele sempre vem”. Desta forma que Tereza Vieira Pereira, conhecida como Terezinha na internet, decidiu encarar os desafios impostos pela vida. E, no caso dela, não foram poucos.

Para além da memória, Terezinha carrega no corpo as marcas da dificuldade de ser uma mulher pobre e negra, nascida e criada no Município de Moreira Sales, no interior do Paraná. Filha de colhedores de café, ainda quando criança, a cor de sua pele era sinônimo de incômodo. A falta de autoaceitação levou, aos sete anos, recorrer a métodos extremamente dolorosos, como esfregar uma bucha pelo corpo na tentativa de apagar sua ancestralidade.

“Minha família é negra e eu sempre fui a mais ‘escurinha’ entre os meus três irmãos. Se eu pudesse voltar no tempo e falar com aquela menina diria a ela para não se preocupar, porque, anos mais tarde, a cor dela viria a ser motivo de orgulho”, afirma Terezinha.

Apesar do sonho de ser professora, aos 14 anos, a moreira-salense encontrou no corte de cana-de-açúcar o sustento da família. Na época, os irmãos já estavam casados e a mãe começou a adoecer, tornando Terezinha a chefe de família.

Para trabalhar na roça, Terezinha largou os estudos. A decisão, por mais necessária que fosse, escancarou a dor da desigualdade. “Aquela menina que entrou na escola achando que não precisava de dinheiro para se tornar médica ou professora foi obrigada a seguir outros rumos para sobreviver”, relembra.

Foram longos 22 anos como cortadora de cana, período em que acumulou problemas respiratórios, cardiovasculares, lesões, desidratação e acidentes. Diante deste cenário, Terezinha precisou largar a profissão em 2005, aos 37 anos, após travar a coluna.

“Tinha dias que eu estava com as costas doendo. Eu levantava de madrugada, fazia movimentos com o facão dentro de casa para ver como poderia trabalhar”, recorda.

“Eu me basto”

Afastada do meio rural por recomendação médica, Terezinha passou a se dedicar ao ramo da costura. Entretanto, na época, ela estava em seu terceiro casamento, o mais problemático de todos. Segundo a ex-cortadora, o homem era dependente químico e usava de violência psicológica, o que a impedia de ser protagonista da sua própria história. “Me separei em setembro de 2021, o início da minha libertação”, afirma a costureira.

Em 2023, Terezinha conheceu o Programa Mulher Atual, promovido pelo Sistema FAEP. Totalmente gratuito, o treinamento busca valorizar o papel feminino na família e na sociedade, desenvolvendo habilidades para a gestão e liderança.

Segundo a costureira, a revolução dentro de si, que já havia começado com a sua separação, atingiu o ápice ao conhecer Marcia Bresciani, instrutora do curso em Tuneiras do Oeste, município no Noroeste do Paraná. “Antes, eu colocava a minha felicidade nas mãos das outras pessoas. Dentro do curso, aprendi que eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Eu me basto”, afirma.

De acordo com Marcia, Terezinha era extremamente tímida e receosa no início do curso. Hoje, a instrutora define a costureira como uma mulher desenvolta e alto astral.

“Foi no Mulher Atual que ela destravou. Ela realmente incorporou o programa”, destaca Marcia. “A Terezinha é um case de sucesso do trabalho que o Sistema FAEP desenvolve. É um orgulho saber que estamos mudando vidas”, complementa Ágide Eduardo Meneguette, presidente da entidade.

Empoderamento compartilhado

Quando ainda estava casada, Terezinha deu início ao seu canal no YouTube chamado “Artes com Terezinha”. Entretanto, por ter sido criado de maneira despretensiosa, a plataforma estava estagnada. Ao participar do Programa Mulher Atual, a costureira alavancou o negócio e, em meses, ganhou milhares de seguidores que, hoje, somam quase 100 mil. Mesmo investindo no digital, ela não deixou de lado seu ateliê.

“Atualmente, meu ateliê é movido por ajustes e consertos de roupas. Hoje eu entendo o porquê desse nicho ter chegado até mim. Eu gosto demais de ouvir pessoas, conhecer histórias, porque cada mulher que entra aqui é um universo diferente. Não sou só uma costureira, sou a protagonista da minha própria história e contribuo para que outras mulheres também sejam da delas”, destaca.

Nas páginas de papel

Para a instrutora do Programa Mulher Atual, as vivências de Terezinha mereciam virar um livro. Neste ano, a oportunidade apareceu. A história da costureira será contada em um capítulo do mais novo livro do mentor e palestrante Erno Menzel. O projeto, que retrata diferentes histórias de sucesso do agro, será lançado em dezembro.

“A Terezinha acompanhou o processo de escrita. Eu poderia ter utilizado um pseudônimo, mas não. A gente quis manter o nome dela, porque é merecido ser reconhecida pela mudança que teve. Estou muito feliz com essa oportunidade de participar do livro contando a história da Terezinha”, afirma Marcia. “Depois de tanta dor, assumi meu cabelo crespo e grisalho, e, hoje, ele é minha coroa. Quero que outras mulheres também sintam isso”, finaliza Terezinha.

Terezinha, com a mãe, durante a infância em Moreira Sales
Terezinha, com a mãe, durante a infância em Moreira Sales

Relações com a Imprensa

O Departamento do Sistema FAEP desenvolve a divulgação das ações da entidade. Entre suas tarefas, uma é o relacionamento com a imprensa, incluindo a do setor agropecuário e também os veículos

Comentar

Boletim no Rádio