Sistema FAEP

Em diálogo com o poder público, Sistema FAEP cobra melhorias urgentes no fornecimento de energia

Entidade participou de audiências públicas, em Brasília e Curitiba, expondo prejuízos no agro decorrentes de quedas de energia elétrica

As cobranças, por parte do Sistema FAEP e de outras entidades dos setores produtivos do Paraná, por soluções para os problemas crônicos de fornecimento de energia elétrica no meio rural, envolvendo a Companhia Paranaense de Energia (Copel), ganharam destaque em todo o país. Recentemente, o tema esteve em discussão em duas audiências públicas: a primeira organizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em Curitiba, no dia 29 de abril; e a segunda, na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal, em Brasília, em 5 de maio, requisitada pelo senador Sergio Moro. Em ambas, o Sistema FAEP esteve presente e expôs as consequências da instabilidade e das quedas, além dos prejuízos para a produção agropecuária estadual.

As audiências públicas são mais um capítulo de uma novela de descaso, por parte da Copel, aos produtores rurais do Paraná. Há anos, agricultores e pecuaristas convivem com apagões e prejuízos milionários que resultam em perdas na produção devido às interrupções recorrentes no fornecimento de energia elétrica e oscilações na tensão da rede. Do outro lado do balcão, a Copel registra lucro bilionário: R$ 2,66 bilhões somente em 2025.

Apesar das promessas de investimentos da companhia, a rotina no campo envolve ocorrências de falta de energia elétrica no mesmo dia, sendo que, em alguns casos, o restabelecimento só ocorre após horas, colocando em risco a produção.

“O problema é que a energia elétrica passou a ser um fator de risco para a atividade rural no Paraná. O produtor convive com quedas frequentes no fornecimento, oscilações constantes de tensão, demora excessiva no religamento, queima de equipamentos, prejuízos financeiros e morte de milhares de animais”, destaca o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Isso não é um problema pontual ou restrito a casos isolados. Essa é a rotina. Temos centenas de ofícios, processos e relatos de produtores e sindicatos rurais que comprovam centenas de milhões de reais em prejuízo no meio rural”, complementa.

A falta de qualidade no serviço prestado pela Copel fica comprovada no Ranking de Continuidade do Serviço divulgado em abril, pela Aneel. A empresa ficou na 27ª posição nacional nesse modelo de comparação, uma das últimas entre todas as operadoras do Brasil. Isso é ainda mais preocupante diante do fato de que a Copel atende 5,2 milhões de unidades consumidoras, sendo 500 mil no meio rural, em 396 municípios do Estado.

“O que tem trazido essa atenção para a distribuidora [Copel] é o aumento no número de reclamações registradas. Enquanto, em nível nacional, esses registros diminuem, as reclamações da Copel aumentam”, declara a superintendente adjunta de Fiscalização Técnica dos Serviços de Energia Elétrica da Aneel, Ana Claudia Cirino dos Santos. De 2024 para 2025, a Agência registrou aumento de 55% na quantidade de reclamações na plataforma consumidor.gov em relação à Copel.

Em Curitiba

Na capital paranaense, a audiência pública teve como tema principal a Revisão Tarifária Periódica (RTP) da Copel para 2026. A Aneel anunciou, em abril, uma proposta de reajuste na tarifa de energia, com aumento médio de 19,2% e vigência a partir de 24 de junho.

Durante o evento, o presidente do Sistema FAEP, dezenas de presidentes de sindicatos rurais e agricultores de diversas regiões do Paraná questionaram a proposta de reajuste, que contrapõe a realidade do meio rural.

“Apesar da real situação de ineficiência no fornecimento de energia elétrica, o produtor rural, provavelmente, a partir do dia 24 de junho, vai pagar mais caro na conta de luz. Somos totalmente contra esse reajuste. Confirmar o aumento das contas de luz é premiar o péssimo serviço da Copel”, ressalta Meneguette.

Ágide Eduardo Meneguette questiona proposta de aumento da conta de luz durante audiência em Curitiba

Durante a audiência pública, presidentes de sindicatos e produtores relataram problemas em todas as regiões do Estado. O presidente do Núcleo Regional dos Sindicatos do Norte e Noroeste do Paraná (Nurespar) e produtor de ovos Arnaldo Cortez contou que sofre, frequentemente, com picos e ausência de energia, o que causa transtorno. Em uma destas situações, Cortez contabilizou seis horas sem energia (das 8h até as 14h) em sua propriedade, no município de Cruzeiro do Sul. Isso atrasou o processamento de ovos e, consequentemente, a entrega dos produtos nos supermercados da região.

“Os supermercados cobraram por esse atraso e isso gerou prejuízo financeiro no custo de produção”, afirma o presidente da Nurespar. “Quando pagamos, apenas queremos uma energia que chegue com qualidade, que atenda as necessidades dentro da porteira”, complementa.

Em Brasília

Na capital federal, senadores e representes de entidades dos setores produtivos debateram sobre as falhas no fornecimento de energia. Apesar de o índice apresentado pela Copel mostrar um tempo médio de sete horas por ano de interrupção no fornecimento de energia, referente a 2025, o tempo real percebido pelos consumidores pode chegar a 17 horas e meia. A diferença se deve a expurgos que retiram do cálculo oficial as interrupções relativas a fatores como fenômenos climáticos e acidentes de trânsito.

“É louvável que a Copel tenha aumentado os investimentos, mas esses investimentos, pela percepção da população paranaense, não têm se revertido em qualidade, devido às quedas e demora da retomada do serviço”, afirma o senador Sergio Moro, que pediu para a Copel apresentar um plano de ação para diminuir as quedas de energia e, para Aneel, um plano de fiscalização; ambos em 30 dias.

Meneguette lembrou que energia elétrica é um insumo essencial de produção no meio rural. No Paraná, que se destaca mundialmente pela produção de proteína animal, a energia é matéria-prima para a suinocultura, avicultura, produção de leite e piscicultura.

“Sem energia, o aviário não funciona, os frangos morrem, a granja para e os suínos têm redução de desempenho, a oxigenação da água dos tanques para e os peixes morrem, o leite não é resfriado e precisa ser descartado. Ou seja, sem energia elétrica, não há produção agropecuária. Essa é a realidade”, aponta o presidente do Sistema FAEP.

Ágide Eduardo Meneguette defende, no Senado, a necessidade de fornecimento estável de energia ao setor agro

“Nós temos queda de tensão, oscilação e interrupção de energia de forma frequente. E isso gera efeitos práticos dentro da planta industrial, que é a queda de competitividade das nossas agroindústrias. Isso se reflete em custo de produção e, muitas vezes, esse custo é repassado para o produto final: o alimento”, complementa o coordenador de Técnica e Sanidade da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Silvio Krinski.

“Trinta indústrias, na região de Ponta Grossa, em 2025, tiveram 1,2 mil horas de interrupção, ou seja, uma média de 40 horas por indústria. Isso não foi percebido [nos indicadores da Copel], porque são oscilações de tensão”, finalizou superintendente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), João Arthur Mohr.

Produtores contabilizam prejuízos milionários

Os relatos de prejuízos dentro da porteira, envolvendo perdas na produção, mortes de animais e queima de equipamentos, vêm de todos os cantos do Paraná. Esses registros fazem parte de um relatório das ocorrências nas propriedades, entregue ao Sistema FAEP pelos sindicatos rurais.

Em Tupãssi, na região Oeste do Paraná, um produtor perdeu 900 mil quilos de tilápia no mês de fevereiro. Os aeradores (equipamentos responsáveis pela oxigenação da água do tanque) queimaram devido a oscilações de energia, provocando a morte dos peixes. O prejuízo foi estimado em R$ 9 milhões.

Interrupções de energia elétrica provocam a morte de animais e prejuízo aos produtores paranaenses

Em março, uma queda de energia causou a morte de 20 mil frangos em São Miguel do Iguaçu, também no Oeste do Estado. As aves morreram após o aviário ficar sem climatização. A família de produtores rurais teve um prejuízo de cerca de R$ 150 mil.

No ano passado, um avicultor do distrito de Iguiporã, em Marechal Cândido Rondon, enfrentou oscilações constantes no fornecimento de energia elétrica que sobrecarregaram o sistema do gerador. Com as quedas e variações, o equipamento demorou a acionar, resultando na morte de 800 frangos. O prejuízo, naquele dia, atingiu R$ 10 mil, valor que deixou de receber da integradora.

Um ano depois do ocorrido, o problema ainda persiste. De acordo com o produtor, as oscilações continuam com frequência na propriedade. A energia chega a apresentar “piscadas” entre sete e dez vezes durante a noite, período em que o sistema fica mais vulnerável e acaba sobrecarregando tanto o gerador quanto os equipamentos do aviário, que tem custo anual de R$ 12 mil.

Também em Marechal Cândido Rondon, um piscicultor que atua há 16 anos na atividade começou a enfrentar problemas frequentes de falta e queda de energia, prejudicando diretamente sua produção de tilápia, em dois tanques que chegaram a receber 450 mil peixes.

Na primeira vez, durante uma madrugada, a falta de energia resultou na perda de 60% da produção de peixe, correspondente a 100 mil animais (22 toneladas). Há seis anos, outro baque e, dessa vez, ainda maior. Mesmo com equipamentos e alarme na propriedade, uma nova queda brusca de energia durante a madrugada resultou na morte de 52 toneladas de peixes.

Os impactos do fornecimento falho de energia elétrica não se restringem aos produtores rurais. Prejuízos no agronegócio desencadeiam efeitos negativos em toda a cadeia produtiva, prejudicando até o fornecimento de alimentos para a população.

“Sem energia, não há produção agropecuária, não há geração de emprego e renda, não há um setor forte e pujante segurando a economia estadual e nacional, e não há alimentos na mesa do brasileiro e do mundo. Precisamos de uma solução urgente para esse problema”, concluiu o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Relações com a Imprensa

O Departamento do Sistema FAEP desenvolve a divulgação das ações da entidade. Entre suas tarefas, uma é o relacionamento com a imprensa, incluindo a do setor agropecuário e também os veículos

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