Pela primeira vez, o município de Mariluz sediou o Encontro Regional de Líderes Rurais, promovido pelo Sistema FAEP. Realizado nesta quarta-feira (10), o evento reuniu 160 participantes de 13 municípios da região Noroeste do Paraná para discutir um dos temas considerados mais estratégicos para o futuro do agronegócio: sucessão familiar. Do total de participantes, 86 eram mulheres (54%) e 74 homens (46%). O evento também se destacou pela renovação do público: 27 pessoas (17%) participaram pela primeira vez.
FOTOS: confira no Flickr o álbum do Encontro Regional de Líderes Rurais em Mariluz
Embora realizado em Mariluz, o encontro reuniu representantes dos sindicatos rurais de Altônia, Cianorte, Cidade Gaúcha, Cruzeiro do Oeste, Icaraíma, Iporã, Ivaté, Maria Helena, Rondon, Tapejara, Tuneiras do Oeste e Umuarama. Também participaram o prefeito e a secretária municipal de Agricultura de Mariluz, Paulo Armando da Silva Alves e Josiane dos Santos Justo, respectivamente, e o superintendente-geral de Apoio aos Municípios na Secretaria das Cidades do Governo do Paraná, Ricardo Aparecido Maia Kotsifas.
Com o tema “Da família, a liderança. Do protagonismo, a força do agro”, o encontro teve como anfitrião o presidente do Sindicato Rural de Mariluz e do Núcleo Regional de Entre Rios, Mar Sakashita.
“Só tenho a agradecer ao Sistema FAEP, que trouxe este importante encontro para a nossa base sindical. Os desafios enfrentados atualmente pelos produtores exigem cada vez mais organização e representatividade. Enfrentamos adversidades climáticas, questões de mercado, desafios geopolíticos e mudanças nas políticas públicas. Por isso, o produtor rural precisa estar preparado e bem representado. E essa representação começa justamente na base sindical”, destaca Sakashita.

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, ressaltou que a sucessão familiar é um desafio enfrentado não apenas no Brasil. Ele lembrou que a entidade já trabalha com o tema há uma década por meio do programa Herdeiros do Campo.
“Há dez anos estamos capacitando, treinando e trazendo um assunto tão importante para a mesa dos produtores rurais. Nossos instrutores vão até as propriedades, conversam com as famílias e ajudam a construir um planejamento estratégico para que a sucessão aconteça de forma organizada, respeitando os interesses de todos os envolvidos”, diz o dirigente.

O prefeito de Mariluz, Paulinho Alves, também ressaltou a importância do processo sucessório dentro da porteira para a continuidade dos negócios no meio rural. “A sucessão familiar é um tema fundamental para o futuro do agro. Existe um ditado que diz que nenhum patrimônio ultrapassa a terceira geração. Mas esse paradigma pode ser superado. E iniciativas como as do Sistema FAEP contribuem justamente para preparar as famílias e garantir a continuidade dos negócios rurais”, afirma Alves.

Planejamento ainda é exceção
A palestra principal, conduzida pela especialista em sucessão e governança em negócios familiares do agro, Marielly Biff, destacou que cerca de 80% das propriedades rurais brasileiras ainda estão na transição entre a primeira e a segunda geração, mas menos de 15% possuem um plano formal de sucessão.
Durante a apresentação, a especialista reforçou que sucessão não deve ser confundida com herança. Enquanto a herança trata da transferência patrimonial, a sucessão envolve a preparação dos futuros gestores, a transferência de conhecimento e a continuidade do negócio rural.
“Cerca de 90% das empresas brasileiras têm perfil familiar, mas menos de 7% chegam à terceira geração e aproximadamente 60% não sobrevivem a conflitos familiares e sucessórios. O principal passo para uma sucessão bem-sucedida não é jurídico nem tributário, mas o diálogo dentro da família”, pontua.
Sucessão na prática
Enquanto a sucessão familiar era debatida no palco, a família Servello acompanhava a programação com conhecimento de causa. Produtores rurais no município de Terra Boa, o pai Dirceu e o filho Agnaldo participaram do evento compartilhando uma experiência que atravessa gerações e hoje serve de exemplo de continuidade no campo.
A história começou com o produtor Dirceu, que assumiu a propriedade após a divisão da herança familiar entre sete irmãos, em 1991. Inicialmente voltada à produção de café, a atividade foi diversificada ao longo dos anos com o cultivo de hortaliças e, posteriormente, com a criação da marca Café Servello.
“Meus três filhos já estão participando da torrefação. Estou passando conhecimento porque não vou ficar aqui para sempre. Quero que continuem o trabalho que estamos construindo”, afirma Dirceu.
Um dos sucessores, o filho Agnaldo atua, além da produção de hortaliças, na expansão da marca de cafés.

“Hoje entendemos que a maior riqueza que existe é o conhecimento. Quando ele não é compartilhado, corre-se o risco de perder muito quando essa pessoa parte. Por isso esse debate trazido pelo Sistema FAEP tão importante para as famílias rurais”, afirma.
Hoje, a família mantém atividades na produção agrícola e na torrefação de café, conciliando a experiência acumulada por Dirceu com as novas ideias trazidas pelas gerações mais jovens.
Sindicato Protagonista
O encontro ainda marcou o lançamento da terceira edição do Sindicato Protagonista, iniciativa criada pela Comissão Estadual de Mulheres do Sistema FAEP para fortalecer a atuação dos sindicatos rurais paranaenses.
Durante a apresentação, foram destacados resultados obtidos nas duas primeiras edições do programa, em 2024 e 2025. Entre eles, está o aumento da presença dos sindicatos em conselhos municipais, espaços onde são discutidas políticas públicas ligadas à agricultura, educação, saúde e desenvolvimento local. O número de representantes sindicais nesses colegiados passou de 289 para quase 400 participantes.
Outro avanço apontado foi a reativação e criação de entidades sindicais em municípios onde os sindicatos estavam inativos ou fragilizados. O projeto também contribuiu para ampliar a participação das mulheres nas comissões femininas, que passaram de cerca de 2,4 mil integrantes, em 2024, para mais de 4,1 mil participantes em todo o Paraná, em 2025.
Nesta nova edição, o projeto passa a contar com bonificação de até R$ 7 mil para as entidades participantes, além de novos indicadores de desempenho e da exigência de pontuação no Planejamento Estratégico de Mobilização (PEM). As inscrições seguem abertas até o dia 17 de julho e o regulamento do projeto pode ser conferido clicando aqui.
Programação continua
Após passar por Pato Branco (Sudoeste), Toledo (Oeste), Campo Mourão (Centro-Oeste) e Mariluz (Noroeste), o Encontro Regional de Líderes Rurais segue, em junho, para Nova Esperança (Noroeste), no dia 11; Arapoti (Campos Gerais), no dia 16; Cornélio Procópio (Norte Pioneiro), no dia 17; e Londrina (Norte), no dia 18. Em julho, a agenda contempla Guarapuava (Centro), no dia 7; Bituruna (Centro-Sul), no dia 8; e Lapa (Região Metropolitana de Curitiba), no dia 9, encerrando a edição de 2026.


















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