Sistema FAEP/SENAR-PR

Rotação de culturas melhora fertilidade do solo e aumenta produtividade

Pesquisa realizada no Centro-Sul do Paraná mostra que sistemas diversificados trazem resultados positivos para produção agrícola, com mais rentabilidade

Sistemas de produção mais diversificados e integrados com boas práticas agrícolas são fundamentais para a sustentabilidade da agricultura, trazendo benefícios ambientais e econômicos para os meios rural e urbano. O uso de rotação de culturas torna o sistema mais produtivo, melhorando as condições do solo e diminuindo a ocorrência de doenças, pragas e plantas daninhas, além de diversificar a renda do produtor rural.

Nesse contexto, a Rede de AgroPesquisa e Formação Aplicada Paraná (Rede AgroParaná) está conduzindo um estudo para avaliar as melhores opções de rotações de culturas em Sistema de Plantio Direto (SPD) na região Centro-Sul do Estado. O projeto, que conta com apoio financeiro do governo do Paraná e do SENAR-PR, está sendo realizado no Polo Regional de Pesquisa do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), em Ponta Grossa.

Em um estudo comparativo de áreas com e sem terraços, são medidas as perdas de solo, de água e de nutrientes em macroparcelas. Segundo a pesquisadora do IDR-Paraná Lutécia dos Santos Canalli, o projeto abrange uma série de aspectos avaliados, como atributos físicos, químicos e biológicos do solo; decomposição dos resíduos vegetais e ciclagem de nutrientes; encaixe das culturas nos sistemas de rotação; produtividade das culturas; e retorno econômico para o produtor rural.

“O objetivo é ter áreas mais completas com todos os benefícios que o SPD pode trazer, melhorando os indicadores de qualidade do solo, aumentando a produtividade das culturas, sem perder viabilidade econômica. Os resultados vão permitir que o produtor possa enxergar, de fato, um sistema que traga tanto benefícios ao solo na construção da fertilidade quanto bons resultados em produtividade, contribuindo para sua renda”, destaca Lutécia.

Atualmente, os sistemas de produção mais comuns na região Centro-Sul, trigo/soja e aveia preta/soja, apresentam relativa fragilidade por serem pouco diversificados. A pesquisadora explica que o plantio sequencial de culturas, ano após ano, cria um ambiente mais favorável para o aparecimento de pragas e doenças. Além disso, ao utilizar culturas diversificadas em diferentes talhões de uma mesma área, em eventual

situação de intempérie climática, o produtor pode mitigar prejuízos financeiros.

“É de suma importância que o produtor conheça os diferentes arranjos de plantas em sistemas de rotação de culturas para potencializar os efeitos positivos no solo. A diversificação de culturas traz mais segurança ao produtor, pois há uma porção de possibilidades que se abrem”, orienta a pesquisadora do IDR-Paraná.

Resultados preliminares

O projeto de pesquisa conduzido na região Centro-Sul já aponta que sistemas mais diversificados proporcionam maior produtividade das culturas e rentabilidade dos sistemas de produção. A inserção de adubos verdes também garante maior retorno financeiro, demonstrando as vantagens em usar plantas de cobertura no inverno e reduzindo custos com fertilizantes.

“Temos resultados muito bons de produtividade de milho devido à fixação de nitrogênio feita por leguminosas plantadas anteriormente. Os ciclos de feijão/trigo mourisco/soja

também deram resultados excelentes, com melhor retorno financeiro. Ficou bem claro que o sistema mais simplista traz menos retorno”, revela Lutécia.

O estabelecimento de rotação de culturas diversificadas no SPD contribui para a ciclagem de nutrientes, fixação biológica de nitrogênio, reestruturação do solo e aumento da matéria orgânica, favorecendo os cultivos posteriores. “As plantas de cobertura fixam todos os tipos de nutrientes, por meio da decomposição da palhada. Entre 60 e 70 dias após o manejo, pelo menos 70% dos nutrientes voltam para o solo”, conclui a pesquisadora do IDR-Paraná.

Bruna Fioroni

Graduada em Comunicação Social – Jornalismo, trabalhou na cobertura do setor agropecuário e comunicação governamental no Mato Grosso do Sul. Tem experiência como social media e com marketing digital. Atualmente trabalha como jornalista no Sistema FAEP/SENAR-PR.

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