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Diferenças de realidade contrapõem agropecuárias do Paraná e de Iowa, nos Estados Unidos

Líderes rurais paranaenses encontram divergências em pontos como produtividade e logística, além de semelhanças como o desafio da sucessão familiar

Em uma fazenda de milho e soja na cidade de Des Moines, no Estado de Iowa, na região Meio-Oeste dos Estados Unidos, uma comitiva de líderes rurais do Paraná pôde comparar a agropecuária paranaense à norte-americana. Os agricultores e pecuaristas, que participam de uma viagem técnica promovida pelo Sistema FAEP, estiveram na propriedade da família Brelsford, onde tiraram dúvidas sobre assuntos como crédito rural, juros, armazenagem, insumos, maquinário, produtividade e cenário econômico.

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A mais marcante diferença identificada envolve a produtividade do milho e a capacidade de armazenagem nas próprias fazendas. Em Iowa, o milho alcança médias de 500 sacas por hectare (por volta de 280 bushels por acre).

“Eles têm um teto de produtividade de milho bem mais alto do que o nosso. Os solos deles têm um pH alto, em torno de 7,5, difícil de a gente atingir. Além disso, a quantidade de luz no período da safra e a amplitude térmica [alta temperatura de dia e queda à noite] são exatamente o que a planta necessita”, observa Aldo Tasca, presidente do Sindicato Rural de Céu Azul, no Oeste do Paraná.

Outro ponto de divergência é a logística interna. Enquanto no Brasil a maioria dos produtores depende de cooperativas e/ou cerealistas para a recepção e secagem imediata dos grãos, na propriedade dos Brelsford (que soma cerca de 2,4 mil hectares) a produção é armazenada no local.

O presidente do Sindicato Rural de Céu Azul, Aldo Tasca, identificou grandes diferenças entre a agropecuária no Paraná e nos EUA envolvendo a produtividade do milho e a capacidade de armazenagem nas próprias fazendas

“Eles têm armazenagem própria para toda a produção, com secador, para depois vender direto para as indústrias. Eu também tenho silo na minha propriedade, mas presto serviço com o excedente de espaço. No caso dele, é um espaço exclusivo para a safra própria”, pontua Tasca.

Juros baixos

A disparidade em relação ao maquinário agrícola também entrou na lista de divergências. Na fazenda norte-americana, uma colheitadeira de grande porte, um pulverizador e uma plantadeira de 36 linhas garantem a operação diária a uma velocidade que impressionou os paranaenses.

“O maquinário deles é mais aprimorado, com um rendimento operacional superior ao nosso. A velocidade de plantio chega a 18 km/h, enquanto no Paraná a gente roda, a grosso modo, a 7 km/h. Eles têm máquinas de última geração porque sabem que o investimento tem retorno garantido, amparado por seguro rural e subsídios do governo”, relata Eduardo Martins, presidente do Sindicato Rural de Alvorada do Sul, na região Norte do Paraná.

Eduardo Martins, presidente do Sindicato Rural de Alvorada do Sul, destaca que nos EUA, os produtores conseguem investir em bons maquinários porque têm retorno garantido, amparado por seguro rural e subsídios do governo

O acesso ao crédito e à política agrícola também foram apontados como uma diferença entre os dois países. “Dando um exemplo, o produtor americano citou que o custeio agrícola ou financiamento de máquinas gira em torno de 7% de juros ao ano. Para o produtor brasileiro, no mesmo nível de tecnologia, gira em 15%. A gente nota benefícios aos norte-americanos”, ressalta Dalnei Menon, presidente do Sindicato Rural de Guamiranga, no Centro-Sul do Estado.

O proprietário da fazenda, Michael Brelsford, confirma que os altos custos operacionais exigem o apoio do sistema financeiro local. “Temos o financiamento envolvido, com certeza. Uma colheitadeira custa um milhão de dólares. Então, temos o seguro agrícola federal [federal crop insurance, em inglês]. Quanto melhor o seu histórico de produtividade, maior a sua garantia, e o governo federal contribui significativamente com a taxa do prêmio. Essa é a nossa rede de segurança”, explica o agricultor.

Desafios econômicos e sucessão no campo

Enquanto existem diferenças na produtividade e condições de financiamento, por outro lado, as incertezas econômicas e a necessidade de manter a família no negócio são um ponto em comum entre o Paraná e a região de Iowa. Apesar da alta tecnologia, a margem financeira do produtor norte-americano também tem sido pressionada.

“Nossos insumos estão extremamente altos e os preços das commodities estão historicamente baixos. A rentabilidade não tem sido boa”, diz o produtor Brelsford. O norte-americano conta que precisou diversificar os negócios da família para além dos grãos, operando granjas de suínos e até uma rede de lava-rápidos na região de Des Moines para garantir a renda.

Os proprietário da fazenda, Susan e Michael Brelsford, receberam o grupo de paranaenses em sua propriedade, e confirmaram o apoio do sistema financeiro local

Sobre a sucessão familiar, Brelsford admite que a transição nem sempre é simples. “Se não há dinheiro, as gerações mais jovens não têm interesse em ficar e trabalhar. É muito difícil manter fazendas multigeracionais unidas”, revela o produtor, cujos dois filhos hoje trabalham na propriedade.

Para o presidente do Sindicato Rural de Guamiranga, conhecer de perto a realidade norte-americana deixou claro que a pressão econômica é um fenômeno global na agropecuária, embora o brasileiro enfrente sobressaltos adicionais. “A agricultura mundial sofre um desafio na questão econômica, e nos Estados Unidos não é diferente. Porém, os produtores brasileiros estão sofrendo mais, principalmente com as políticas econômicas, o custo operacional e o mercado de commodities“, analisa Dalnei.

Para Dalnei Menon, presidente do Sindicato Rural de Guamiranga, conhecer de perto a realidade norte-americana deixou claro que a pressão econômica é um fenômeno global na agropecuária

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