Sistema FAEP

Inteligência generativa já chegou ao campo, mas precisa alcançar mais produtores

Nos Estados Unidos, lideranças rurais do Paraná conhecem centenas de soluções disponíveis para mudar a maneira de gerir a propriedade

Enquanto o debate sobre inteligência artificial no campo gira em torno de robôs e tratores autônomos, uma outra revolução já está em andamento nos escritórios das fazendas. Hoje, há mais de 620 soluções de inteligência generativa (GenAI) voltadas especificamente ao agronegócio e à produção de alimentos disponíveis no mercado.

Confira o álbum de fotos da Viagem Técnica aos Estados Unidos | Grupo 3

O levantamento foi apresentado pelo especialista Dan Kurdys, responsável pelo Grupo 9 North e conselheiro estratégico da KissanAI, aos produtores rurais paranaenses que fazem parte da delegação do Sistema FAEP nos Estados Unidos. Localizado em Saint Louis, o 39 North é um ambiente de incubação de startups e empresas de base tecnológica focadas no setor do agronegócio.

Segundo a curva de evolução apresentada por Kurdys, o uso da inteligência artificial (IA) na agricultura começou na década de 1990, com o uso de sensores, GPS e dados de máquina, base da agricultura de precisão que muitos produtores já utilizam. A fase atual, como detalhou o especialista, envolve a inteligência artificial para ajudar a “rodar o escritório da fazenda”, com conhecimento, planejamento e administração do negócio. As atividades como revisão de contratos, negociação com fornecedores e análise de dados internos permitem maior retorno sobre investimento e implantação mais rápida da GenAI.

“É nessa fase que mora a oportunidade mais imediata e de menor risco para o produtor”, comenta Kurdys.

Quem já aplica recomenda

Um exemplo prático de como essa combinação de dados e IA já funciona está na propriedade de Marcos Eidam, produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Ortigueira, que integra o grupo da viagem técnica aos Estados Unidos. Eidam já utilizava, pela cooperativa, a plataforma Agriwin para controle financeiro, fiscal e indicadores de desempenho da fazenda. Além disso, de modo manual, mantinha uma planilha própria com os dados das atividades. Ele uniu essas duas fontes com o apoio de uma ferramenta de inteligência artificial: o NotebookLM, do Google.

“Eu tenho informações em um software e informações em uma planilha. Com esses dois arquivos, de fontes diferentes, eu passo para a IA, que consegue dar os resultados”, explica o produtor. “Fiz a análise de viabilidade de um caminhão usado no transporte da produção. Eu gero um PDF e carrego nesse aplicativo, que faz uma apresentação: quanto essa caminhonete rodou, quanto consumiu, o custo por quilômetro”, conta.

O mesmo raciocínio se aplica a máquinas agrícolas. Segundo Eidam, é possível calcular, por exemplo, quanto um trator custou ao longo do último ano, horas trabalhadas e custo por hora de operação — cruzando dados de abastecimento, peças, manutenções e serviços mecânicos. A ferramenta também passou a ser usada pelo dirigente na gestão do sindicato. Ao receber o balanço patrimonial ou a demonstração de resultado, Eidam carrega os arquivos no aplicativo e obtém apresentações sobre a saúde financeira da entidade. “Traz algo que eu posso apresentar para os associados, didático”, afirma o produtor, que faz questão de reforçar, no entanto, que a tecnologia não substitui a disciplina do registro.

Relações com a Imprensa

O Departamento do Sistema FAEP desenvolve a divulgação das ações da entidade. Entre suas tarefas, uma é o relacionamento com a imprensa, incluindo a do setor agropecuário e também os veículos

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