Sistema FAEP

No Nebraska, iniciativa do Instituto de Agricultura inspira novos caminhos para a ATeG no Paraná

Programa norte-americano testa pesquisas nas propriedades, diretamente adaptadas à necessidade do produtor

No Estado de Nebraska, uma iniciativa desenvolvida pelo Instituto de Agricultura e Recursos Naturais (IANR), da Universidade do Nebraska, chamou a atenção dos integrantes da viagem técnica promovida pelo Sistema FAEP aos Estados Unidos pela proximidade com a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). O programa Nebraska On-Farm Research Network (NOFRN) permite que pesquisadores e extensionistas trabalhem diretamente com produtores para testar tecnologias, produtos e práticas de manejo dentro das propriedades. Ou seja, o processo permite sair das recomendações genéricas e trabalhar a partir das condições reais.

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Os dois modelos, porém, têm propostas diferentes. Enquanto a ATeG alia orientação técnica à gestão da atividade rural, com acompanhamento individualizado ao longo de dois anos, o programa do Nebraska tem a pesquisa como eixo central. Na prática, a fazenda também se transforma em área experimental. No NOFRN, o início de cada pesquisa surge a partir do próprio produtor. Uma nova tecnologia, um produto ou uma prática de manejo que desperte dúvida pode ser testada nas condições em que efetivamente seria utilizada.

Segundo Mailson Freire de Oliveira, educador de extensão da Universidade de Nebraska na área de sistemas de cultivo e água, os profissionais da instituição ajudam a estruturar o experimento, analisar os dados e interpretar os resultados. O produtor, por sua vez, realiza o trabalho usando as próprias máquinas e o sistema de produção que já possui.

Mailson Freire de Oliveira, educador de extensão da Universidade do Nebraska

“A gente dá suporte ao produtor no desenvolvimento dessa pesquisa para testar um produto, uma tecnologia ou um manejo na propriedade. O agricultor planta e colhe, enquanto nós fazemos o delineamento experimental, processamos os dados e acompanhamos todo o processo”, explica Oliveira.

Ao final, os resultados são apresentados ao produtor em um relatório que pode embasar decisões sobre adotar ou não determinada solução. “Ele consegue ter uma informação mais confiável para a tomada de decisão. Já tivemos produtores que adotaram uma tecnologia e outros que deixaram de adotar determinado produto porque a pesquisa mostrou que aquilo não funcionava dentro do sistema de produção deles”, relata o extensionista.

Entre os trabalhos estão, por exemplo, testes sobre diferentes formas de manejar nitrogênio, uso de imagens de satélite e ferramentas de aplicação em taxa variável. Em 2026, segundo o extensionista, 80 produtores estão envolvidos no programa, com mais de 100 experimentos realizados ou em andamento.

Pontos de encontro com a ATeG

Na ATeG do Sistema FAEP, técnicos de campo acompanham individualmente os produtores, identificam gargalos produtivos e gerenciais e, posteriormente, estabelecem ações para melhorar os resultados da atividade. A proximidade entre técnico e produtor é uma das bases da metodologia.

Para o técnico do Sistema FAEP Daniel Ricardo da Silva, a experiência observada no Nebraska mostra uma possibilidade de avançar na relação ao aproximar pesquisa científica e assistência técnica.

Técnico do Sistema FAEP Daniel Ricardo da Silva vê similaridade entre programa de extensão da universidade norte-americana e atendimento individualizado da ATeG

“Esse trabalho da Universidade de Nebraska se aproxima de algo que a gente busca: trazer a pesquisa para dentro da extensão. O produtor apresenta as dores e a pesquisa é realizada dentro da propriedade, considerando aquela realidade”, destaca Silva.

Hoje, a recomendação da ATeG do Sistema FAEP, com base na metodologia, parte do conhecimento e da experiência dos profissionais que acompanham as propriedades. O modelo norte-americano acrescenta outra possibilidade: estruturar experimentos capazes de medir, de forma mais rigorosa, o desempenho de uma solução nas condições específicas daquele produtor.

“Uma percepção que fica é justamente a possibilidade de fazer ciência dentro das propriedades. Estimular testes e demonstrar para o produtor, dentro da realidade dele, se uma tecnologia funciona. Quando ele vê o resultado na própria propriedade, o nível de confiança para adotar aquela tecnologia aumenta”, avalia o técnico do Sistema.

Neste momento, a ideia não é reproduzir integralmente o modelo norte-americano. A realidade dos produtores atendidos pelos dois programas impõe prioridades distintas. No Paraná, a ATeG busca fortalecer a visão da propriedade como negócio, organizando custos, receitas e indicadores que ajudem o produtor a compreender o desempenho econômico da atividade.

“Muitos dos nossos produtores ainda estão se adaptando a essa questão, enquanto o produtor norte-americano, de maneira geral, já tem uma cultura mais consolidada de gestão da propriedade. A similaridade maior está em fazer o atendimento técnico de acordo com a realidade de cada produtor”, explica Silva.

Proximidade gera confiança

Para Braz Pedrini, presidente do Sindicato Rural de Altônia e integrante da delegação do Sistema FAEP, a experiência na Universidade de Nebraska também reforçou o valor do acompanhamento realizado diretamente nas propriedades. No município do Noroeste do Paraná, produtores de leite participantes da ATeG recebem o atendimento individualizado de um técnico do Sistema FAEP.

Braz Pedrini, presidente do Sindicato Rural de Altônia, diz que a receptividade à ATeG tem sido muito boa na região

“No nosso caso, os produtores de leite estão satisfeitos em ter um veterinário dando assistência”, afirma Pedrini. “Para o produtor, ter esse profissional acompanhando a propriedade faz diferença. A receptividade à ATeG tem sido grande”, conclui.

Relações com a Imprensa

O Departamento do Sistema FAEP desenvolve a divulgação das ações da entidade. Entre suas tarefas, uma é o relacionamento com a imprensa, incluindo a do setor agropecuário e também os veículos

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