Após passar por outras sete cidades paranaenses, o Encontro Regional de Líderes Rurais, promovido pelo Sistema FAEP, teve recorde de público em Londrina, nesta quinta-feira (18). Estiveram presentes 367 participantes, incluindo produtores e lideranças rurais dos 20 municípios que integram a regional de Londrina.
Até o momento, a série de encontros de 2026 já reuniu 2.091 pessoas para debater o tema desta edição: sucessão familiar no agronegócio. Com o lema “Da família, a liderança. Do protagonismo, a força do agro”, a programação contou com palestra e atividades voltadas à compreensão da importância do planejamento para uma transferência de gestão bem-sucedida nos negócios rurais.
FOTOS: confira no Flickr o álbum do Encontro Regional de Líderes Rurais em Londrina

“Existe algo que nenhuma tecnologia substitui: as pessoas. O verdadeiro patrimônio do campo continua sendo a família”, diz Antônio José de Brito Neto, vice-presidente do Sindicato Rural de Londrina. “A sucessão vai muito além da transmissão de patrimônio; representa a continuidade da história, dos sonhos, do conhecimento e do trabalho construído ao longo de gerações.”

Alfredo Alves Miguel Junior, presidente do Núcleo dos Sindicatos Rurais do Norte do Paraná e do Sindicato Rural de Faxinal, se alegrou ao notar quantos jovens participavam do encontro. “É na família que a gente aprende os valores de honestidade, trabalho e comprometimento. E é isso o que a gente leva para o campo”, comenta.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, relata que o desafio da sucessão familiar é um assunto que preocupa produtores rurais não só no Paraná, mas em diversos outros locais no Brasil e no mundo. Isso foi constatado em uma viagem técnica que o Sistema FAEP promoveu, em maio, aos Estados Unidos, onde o tema também foi levantado como ponto de atenção para o setor.

“A boa notícia é que o Sistema FAEP já está à frente desse assunto. Começamos a trabalhar com o tema da sucessão há dez anos, por meio do Herdeiros do Campo, que capacita os produtores rurais”, conta. “É um programa que ajuda as famílias a construírem um plano de ação, para que a sucessão aconteça de forma organizada, garantindo a continuidade e a longevidade do negócio”, afirma.
Pedro Lupion, deputado federal e presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), observa que, além da sucessão familiar, outro fator relevante para a continuidade das atividades rurais é a resolução de problemas que os produtores enfrentam hoje, como o endividamento.

“Chegou o momento de tratarmos de renegociação de dívidas, e é justamente isso o que estamos fazendo na FPA”, diz Lupion. Ele reforça que o Projeto de Lei 5.122/23, que trata da criação de linha especial de financiamento para produtores que lutam com dívidas, é uma das prioridades da Frente. “A gente precisa continuar produzindo e colocando alimento na mesa das pessoas. Por isso, lutamos todos os dias dentro do Congresso, buscando encaminhamento para questões importantes como esta.”
Da mecatrônica ao cultivo de grãos
Em 2023, Diogo Tsuruda, de 33 anos, deixou a vida em São Paulo para retornar à propriedade de sua família, no município de Ibiporã. Embora seja formado em mecatrônica, ele agora lida com o cultivo de soja e milho.
“Meu pai estava sentindo bastante falta de um sucessor. Se não houvesse seguimento no negócio, ele iria vender o maquinário e arrendar as terras. Então, essa foi a oportunidade que eu tive para voltar e aprender sobre o negócio da família”, relata Tsuruda.
Há três anos, ele vem aprendendo tanto sobre as atividades operacionais no campo, quanto as partes administrativa, tributária e legal. “Ainda preciso de mais conhecimento técnico, até porque são muitas decisões a serem tomadas no dia a dia, mas aos poucos me sinto mais preparado”, afirma.

Sua mãe, Aurora, conta que a definição de Diogo como sucessor foi um consenso entre os quatro filhos da família Tsuruda. “Não foi imposto. Foi uma conversa”, explica. “Quando o Diogo viu que o pai estava precisando de um ‘braço direito’ forte, ele resolveu ficar. Foi a nossa alegria ele ter resolvido, por vontade própria, ser o nosso sucessor”, celebra.
Aurora lembra que o processo da sucessão é gradual, exigindo planejamento e diálogo. “Preparar um sucessor leva tempo, não é de uma hora para outra”, diz. “A comunicação é o mais importante. Depois, você vai gerenciando as outras questões, como o relacionamento. Afinal, é um negócio, mas envolve família, e isso é o mais importante”, conclui.
Próximos passos dos sucedidos
Especialista em sucessão e governança em negócios familiares, Mariely Biff foi a palestrante do evento. Em sua apresentação, ela demonstrou a importância de planejar a sucessão antes que ela se torne uma urgência.
“O cenário ideal seria construir uma relação aproximada com os filhos desde pequenos. Fazer com que se sintam pertencentes ao negócio, conheçam a realidade do campo e sejam inseridos de maneira gradual, para que, quando se tornem adultos, já tenham afinidade com a propriedade”, afirma. “Existe uma frase que diz o seguinte: ‘você só ama o que você conhece’, e ela pode ser aplicada no contexto da sucessão.”

Mariely destaca, ainda, que o fundador precisa se preparar para “soltar as rédeas”. É necessário fornecer apoio ao sucessor, mas o sucedido também deve pensar e planejar os próximos passos para sua vida pessoal.
“Sempre digo que tão importante quanto o sucessor aprender é o sucedido desprender. Para isso, também é preciso que exista o plano de aposentadoria”, recomenda.
Sindicato Protagonista inicia novo ciclo
Durante a edição 2026 dos Encontros de Líderes, também acontece o lançamento do terceiro ciclo do Sindicato Protagonista. O projeto promove o fortalecimento sindical por meio da execução de um plano de sustentabilidade criado para as entidades participantes. Durante um ano, os sindicatos colocam em prática uma série de ações definidas para atingir as metas de crescimento e evolução.
Na última edição do projeto, iniciada em 2025 e encerrada em 2026, as 105 entidades participantes tiveram resultados positivos em diversas áreas, incluindo gestão e engajamento de produtores. Em conjunto, os sindicatos constataram uma redução de 9,5% no custo operacional e um aumento de 14% no número de associados, passando de 12.690 para 14.511 ao longo desse período.
A nova edição do Sindicato Protagonista vai oferecer bonificação de até R$ 7 mil para as entidades participantes. As inscrições estão abertas até o dia 17 de julho. Confira o regulamento no site do Sistema FAEP.
Programação continua
O Encontro Regional de Líderes Rurais já passou por Pato Branco, Toledo, Campo Mourão, Mariluz, Nova Esperança, Arapoti, Cornélio Procópio e Londrina. Em julho, o evento segue para mais três municípios: Guarapuava, no dia 7; Bituruna, no dia 8; e Lapa, no dia 9, encerrando a edição deste ano.

















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