Sistema FAEP

Paraná expande receita com exportação de carne de peru

Apesar dos avanços em volume de exportação e faturamento, produtor enfrenta alto custo de produção dentro da porteira

O Paraná voltou a figurar entre os protagonistas nacionais na produção e exportação de carne de peru. Depois de anos de retração e do fechamento de frigoríficos, que praticamente desmontaram a cadeia produtiva estadual, a retomada da atividade pode ser constatada nos números dos últimos anos, do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura (Seab).

No primeiro quadrimestre deste ano, o Paraná exportou 4,7 mil toneladas de carne de peru, um crescimento de 6,9% em comparação com o mesmo período de 2025. No ranking nacional, o Paraná aparece na terceira posição, atrás de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ainda assim, proporcionalmente, o Estado foi o que apresentou maior crescimento entre os principais produtores brasileiros.

O avanço mais expressivo, porém, ocorreu no faturamento. A receita cambial saltou 113,1% em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado, alcançando US$ 22,6 milhões. Os principais destinos da carne de peru paranaense foram o México, responsável pela compra de 2,4 mil toneladas, seguido pelo Chile, com mil toneladas, e o Peru, com 415 toneladas.

“O Paraná já chegou a ser o maior produtor nacional de perus e referência na exportação desta proteína. Essa retomada é importante para o Paraná, pois movimenta uma importante cadeia produtiva, gerando renda e emprego”, destaca o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

No passado, o fechamento de frigoríficos especializados, especialmente com operações industriais em municípios como Francisco Beltrão e Carambeí, desestruturou a atividade. A planta de Carambeí encerrou as operações em 2010. Já em 2018, o fechamento da unidade da BRF em Francisco Beltrão provocou um impacto ainda maior sobre a cadeia produtiva.

Em 2021, a atividade começou a ser retomada no Sudoeste do Paraná após a habilitação de uma planta frigorífica para exportação ao México, atualmente o principal comprador da proteína brasileira. Desde então, o Estado vem reconstruindo lentamente a cadeia produtiva.

“Embora os números indiquem um novo momento para o setor, a retomada só será consolidada quando o crescimento das exportações também se refletir em renda, segurança e estabilidade para quem permanece produzindo no campo”, afirma Meneguette.

Apesar de o consumo do peru ser tradicionalmente associado às festas de fim de ano, a cadeia produtiva opera durante todo o ano, principalmente voltada à produção de cortes industrializados, como peito de peru.

Realidade distante para os produtores

Apesar dos números positivos e do avanço no mercado externo, a realidade do campo ainda é distante desse cenário de crescimento. Isso porque o aumento nas exportações ainda não teve reflexo direto no bolso dos produtores integrados à cadeia.

“Os custos de produção são mais altos que o rendimento. As despesas seguem elevadas, com manutenção, energia e outros insumos”, resume o produtor de peru Ivan da Silva, de Francisco Beltrão, um dos municípios ligados à atividade no Paraná. “Até o momento, esse aumento não é perceptível para o produtor. A situação está complicada”, desabafa.

O produtor chama atenção para o fato de que os avanços econômicos do setor pouco chegam aos municípios do interior e/ou às famílias que vivem da avicultura. “Esperamos melhores remunerações e um olhar mais atento do governo na parte de juros e incentivo”, diz Silva.

Apoio técnico, jurídico e econômico

O cenário expõe uma realidade comum dentro dos sistemas de integração agroindustrial: enquanto a indústria amplia mercados e melhora desempenho nas exportações, produtores afirmam enfrentar margens apertadas e dificuldades para equilibrar os custos da atividade. Neste contexto, o Sistema FAEP reforça a orientação para que os pecuaristas procurem apoio técnico, econômico e jurídico na entidade. Embora o Paraná ainda não possua uma comissão específica voltada à produção de perus, os produtores podem encaminhar demandas por meio da Comissão Técnica de Avicultura do Sistema FAEP.

“Todas as demandas relacionadas aos aspectos econômicos, sanitários e ambientais podem ser encaminhadas à comissão. A partir disso, direcionamos cada situação aos técnicos especializados de cada área. É fundamental que o produtor procure o Sistema FAEP para que possamos fazer esse levantamento, acompanhar de perto a realidade no campo e oferecer apoio técnico diante dos desafios enfrentados”, afirma Caroline Pereira da Costa, técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) da entidade. O contato pode ser feito pelo e-mail caroline.costa@sistemafaep.org.br ou pelo telefone (41) 2169-7922.

O Sistema FAEP possui equipe especializada para auxiliar produtores na análise de contratos, documentos pré-contratuais, relatórios de produção integrada e levantamentos de custos. A entidade também oferece suporte em conflitos entre integradoras e produtores integrados, inclusive por meio de consultoria jurídica externa.

Nesse contexto, Caroline destaca a importância das chamadas Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs), previstas na Lei 13.288/2016, a chamada Lei da Integração. As estruturas funcionam como grupos paritários entre produtores e empresas integradoras, voltados ao diálogo, transparência contratual e discussão sobre remuneração.

Relações com a Imprensa

O Departamento do Sistema FAEP desenvolve a divulgação das ações da entidade. Entre suas tarefas, uma é o relacionamento com a imprensa, incluindo a do setor agropecuário e também os veículos

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