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Brasília não sabe o quer com o trigo nacional

Na última semana, as colheitadeiras gaúchas varriam os campos do Rio Grande do Sul no início da colheita do trigo e no Paraná os triticultores que colheram mais cedo estocavam e buscavam a comercialização da safra estimada em 4,3 milhões de toneladas.

Enquanto isso, em alto mar, tomando a direção dos portos de Santos e Paranaguá, uma força tarefa de 14 navios graneleiros trazia em seus porões 335 mil toneladas de trigo, principalmente americano e canadense, resultado de importações liberadas sem impostos pelo governo brasileiro. Outros navios já estavam no cais, como Master Lini Sol, num dos berços do cais do porto paranaense.

O governo, na verdade, não sabe o que quer com o trigo nacional. Se define uma política para a cultura, como os produtores de longa data vem apelando ou continua se sujeitando ao forte lobby dos moinhos, que na época da comercialização forçam a baixa dos preços impondo importações sem qualquer taxas.

Um exemplo clássico da falta de sintonia nas decisões do governo federal sobre a agricultura nacional teve como cenário a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ocorreu no último dia 31. Convidados pelo Ministro da Agricultura, o mineiro Antônio Andrade, para discutir uma política agrícola dedicada ao trigo, os presidentes da FAEP, Ágide Meneguette e Carlos Sperotto, presidente da Farsul, tinham o perfeito cenário de como estabelecer uma política para o pão nosso de cada dia. Mas a CAMEX (Câmara de Comércio Exterior), acabara de aprovar (pela terceira vez este ano) uma nova importação de 600 mil toneladas de trigo, sem impostos, numa pancada nos triticultores. De janeiro a setembro, 5,2 milhões de toneladas de trigo foram importadas pelo Brasil.

“Fui voto vencido na Camex”, confessou constrangido  o ministro Andrade na reunião com os presidentes da FAEP e Farsul.  Esse órgão é composto pelos ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel; a Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Gleisi Hoffmann; Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo;   Fazenda, Guido Mantega; Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antonio Andrade;   Planejamento, Miriam Belchior e Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas.

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