Sistema FAEP

Conservação do solo transforma chuva em produtividade

Estudo realizado em Toledo mostra que o terraceamento aliado a boas práticas de manejo preserva fertilizantes e protege mais a produção agrícola

Uma chuva forte pode ser uma aliada da produtividade ou o início de prejuízos para o produtor rural. Tudo depende de como o solo é manejado. É justamente esse processo que vem sendo estudado, desde 2018, por pesquisadores da Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada (Rede Agropesquisa), atualmente participando do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Prosolo (Napi-Prosolo), em uma propriedade rural de Toledo, na região Oeste do Paraná.

Em parceria com a Fundação Araucária, o estudo acompanha o comportamento da água em lavouras de soja, milho e trigo, medindo, a cada chuva, a perda de líquido, solo e nutrientes pela erosão.

O Sistema FAEP, parceiro da Rede Agropesquisa, acompanha o desenvolvimento dos estudos em diferentes regiões do Paraná. Além da unidade de Toledo, as pesquisas também são realizadas em Presidente Castelo Branco e Cianorte, no Noroeste, e em outras cinco mesorregiões do Estado: Norte (Cambé), Campos Gerais (Ponta Grossa), região Central (Guarapuava), Sudoeste (Dois Vizinhos) e Oeste (Toledo).

“Conservar o solo é garantir o futuro da produção agropecuária. Pesquisas como esta oferecem conhecimento científico para que o produtor tome decisões mais seguras, preserve o seu principal patrimônio e produza cada vez mais com sustentabilidade. O Sistema FAEP acredita que a inovação, aliada à capacitação e à difusão de boas práticas, é o caminho para preparar o setor para os desafios das próximas décadas”, diz Ágide Eduardo Meneguette, presidente da entidade. “Apoiar essas iniciativas significa fortalecer a geração de evidências científicas que auxiliam produtores, técnicos e formuladores de políticas públicas na tomada de decisões. É um investimento em inovação aplicada que protege os recursos naturais, aumenta a eficiência da produção agrícola e contribui para a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável do Paraná”, complementa o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Marcio Spinosa.

Resultados na prática

O principal protagonista da pesquisa é o terraceamento, técnica que consiste na construção de pequenas barreiras no terreno para diminuir a velocidade de escoamento da água da chuva. O monitoramento é realizado em megaparcelas experimentais de 0,8 hectare instaladas dentro da propriedade. Em vez de escorrer rapidamente pela superfície, a água permanece mais tempo na área cultivada e infiltra no solo. O resultado é uma espécie de reservatório natural que poderá abastecer as plantas durante períodos de estiagem.

“Em cada chuva, a equipe mede o volume de água que escorre pela superfície, a quantidade de sedimentos transportados e os nutrientes perdidos junto a essa enxurrada, como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio. Com esse monitoramento é possível comparar as perdas com o manejo realizado pelo produtor”, explica a pesquisadora Graziela Cesare Barbosa. “Queremos mostrar como o processo erosivo acontece na propriedade, quantificar essa perda para que o produtor tenha percepção dos custos causados pela erosão e, principalmente, demonstrar a importância do uso dos terraços nas lavouras”, pontua.

Em 2023, os pesquisadores acompanharam 25 eventos de chuva, analisando os oito que provocaram maior potencial de perdas. No período monitorado, foram registrados 571,3 milímetros de precipitação. Desse total, apenas 0,28% escoou superficialmente. Na prática, 99,7% da água infiltrou no solo e permaneceu disponível para as plantas ou alimentou os cursos d’água por vias subterrâneas.

Um dos episódios mais marcantes ocorreu em outubro de 2022. Após uma sequência de chuvas que acumulou 114 milímetros, o produtor realizou a semeadura da soja. Quatro dias depois, uma nova chuva de 154 milímetros atingiu a área.

Onde havia terraços, a soja emergiu normalmente, sem formação de sulcos e sem arraste da palha deixada pela cultura anterior. Já na área sem essa proteção, a força da água abriu sulcos erosivos, removeu a cobertura do solo e obrigou o produtor a replantar parte da lavoura.

Enxurrada leva dinheiro embora

A pesquisa também revela um prejuízo pouco perceptível para quem observa apenas a superfície da lavoura. Quando ocorre erosão, a enxurrada carrega justamente a camada mais fértil do solo e parte dos fertilizantes aplicados pelo agricultor. Além do impacto financeiro, a erosão reduz a fertilidade da área ao remover a camada superficial mais rica em matéria orgânica e nutrientes essenciais às plantas.

“O processo erosivo, além da água e solo, também leva o adubo que o produtor colocou para o desenvolvimento das plantas, pois fica dissolvido na água. Muitas vezes, pode até levar as sementes recém-semeadas. A microbiologia do solo também é afetada, com perda de carbono”, explica Graziela.

Embora tenham papel fundamental, os terraços precisam estar associados a outras práticas conservacionistas. “Somente o terraço não resolve se o produtor não executa o bom manejo do solo, utilizando a semeadura direta, plantio em nível, rotação de culturas, a máxima cobertura do solo (com palha ou cobertura verde), entre outras. As pesquisas indicam que as práticas conservacionistas precisam ser aplicadas em conjunto para se obter sucesso com as lavouras e manter o solo conservado”, conclui a pesquisadora.

Relações com a Imprensa

O Departamento do Sistema FAEP desenvolve a divulgação das ações da entidade. Entre suas tarefas, uma é o relacionamento com a imprensa, incluindo a do setor agropecuário e também os veículos

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